As casas astrológicas

CasasAstrológicas

Sobre a diferença entre planetas, signos e casas :

“Os planetas mostram o que está acontecendo, os signos mostram como está acontecendo e as casas mostram onde está acontecendo.”

– Howard Sasportas

Abaixo, confira o significado atribuído a cada casa astrológica:

Casa I  (Ascendente) – É casa do “eu” e da cabeça. Representa a personalidade, o temperamento e as características físicas do indivíduo. Uma vez que fala do nosso físico, também fala da nossa saúde. O signo posicionado nessa casa fala sobre a forma com que você percebe e suporta o mundo e sobre como inicia as coisas de um modo geral. O Ascendente (cúspide ou início da casa I) também pode indicar as condições do seu nascimento.

Casa II – A Casa II fala sobre o nosso patrimônio, bens, dinheiro e recursos. É através dela que avaliamos nossos lucros e prejuízos. Embora a descrição acima seja voltada ao tangível, a casa II fala também sobre nossos valores imateriais, sobre conceito de merecimento e sobre a segurança. Para a maioria das pessoas isso significa dinheiro, mas não é necessariamente assim, afinal, outras coisas são capazes de suprir nossa necessidade de segurança e “garantia”. Segundo William Lilly, a casa II tem como co-significadores Júpiter (indicador de fortuna caso esteja nesta casa ou seja regente dela) e Touro. Em algumas fontes Modernas, atribui-se a regência à Vênus – planeta que fala sobre o que valorizamos – e co-regência à Lua. Em ambas as fontes, atribui-se a facilidade para ganhar ou manter os bens e dinheiro aos planetas tidos como “benéficos” pela Astrologia Clássica.
Um planeta “maléfico” ou tensionado dentro desta casa ou como regente dela podem resultar em avareza, dispersão de bens, ganância e escassez.

Casa III – A casa III fala sobre os nossos irmãos, tios, vizinhos, primos, pequenas viagens e sobre a comunicação. É associada à mente concreta, correspondente ao lado esquerdo do cérebro que trata de assuntos como: fala, análise, memorização e classificação de experiências. Segundo William Lilly, a casa III tem como significadores o signo de Gêmeos e o planeta Marte – considerado menos “maléfico” nesta casa. Para a Astrologia Moderna, o regente natural é Mercúrio (associado à Gêmeos), que na mitologia era encarregado de distribuir as informações dos e para todos os deuses. Associo a casa III ao cotidiano e à capacidade de afastar ou aproximar as pessoas através da comunicação. É a primeira casa na Astrologia que fala da convivência e do próximo, uma vez que o Ascendente representa o “eu” e a casa II, as posses e valores (não necessariamente materiais).

Casa IV (Fundo do Céu) – A casa IV fala sobre as nossas raízes, nossas bases, nosso julgamento com relação aos nossos pais e também sobre as casas, terrenos e sobre o cultivo da terra. Em uma interpretação mais psicológica, ela representa o lugar para onde vamos quando nos voltamos para dentro de nós mesmo, daí a associação ao lar e às raízes. Há discordância sobre a atribuição dessa casa ao pai ou a mãe. Alguns acreditam que a casa X representa a figura da mãe e a casa IV a do pai e outros acreditam no contrário, a IV é a mãe e a X é o pai. Por conta da discordância, prefiro analisar caso a caso. Em geral, a casa tem características que nos permitem identificar o relacionamento com um e com o outro.

Casa V – A Casa V é tida como benéfica, uma vez que faz trígono com o Ascendente.  Para a Astrologia Clássica, é a casa dos filhos e de sua relação com eles, a casa dos prazeres, dos jogos, do entretenimento, das mulheres grávidas, do sexo e da boa fortuna. É a criatividade, o que você gera e produz. Os astrólogos clássicos relacionam essa casa ao sexo, uma vez que fala sobre o prazer e a reprodução. Na Astrologia Moderna, a Casa V também está associada aos namoros e aos casos amorosos: aqui as relações são prazerosas, sem responsabilidade e antecipam a Casa VII – associada ao casamento, onde você de fato apresenta seu parceiro à sociedade e firma um contrato, no qual passa a ter responsabilidades. Como aspecta o Ascendente de forma positiva, a Casa V é uma muito pessoal e também fala da nossa “criança interior” e da expressão alegre do ego.

Casa VI – A Casa VI é considerada maléfica para os astrólogos clássicos, pois além de ser uma das casas que não enxerga o Ascendente (não faz aspecto com o mesmo) é o júbilo de Marte, o “pequeno maléfico”. Para a Astrologia Clássica, essa casa representa os servos, escravos, trabalho árduo, doenças, inimizades, a agricultura, os agricultores, o gado menor e os pequenos animais. Para a Astrologia Moderna é a casa da saúde e do bem estar, da rotina, dos seus subordinados ou empregados (uma vez que hoje não existe mais o sistema feudal e nem o escravocrata) e das tarefas domésticas. Dois dos principais temas desta casa são o trabalho e a rotina. A Casa VI aponta como você lida com seu dia a dia, como funciona o seu ambiente de trabalho, sua relação com os colegas e com o chefe. Se você é o chefe, a Casa VI fala de como se comportam seus empregados e como você se relaciona como eles. A Casa VI indica ainda como funciona sua saúde (se é frágil ou não) e também pode apontar qual parte do corpo geralmente é mais afetada quando você adoece. Planetas nesta casa, de uma maneira geral, falam da natureza do nosso trabalho, como encaramos nossa rotina e como é a nossa maneira de servir.

Casa VII  (Descendente) –  A Casa VII é a primeira casa social no Mapa Natal. Aqui não estamos mais no eixo pessoal, mas sim no eixo do outro. Para a Astrologia Clássica, a Casa VII fala de casamentos, contratos, parcerias, disputas, eventos sociais, guerras, processos litigiosos e os inimigos públicos. A estes significados, a Astrologia Moderna inclui o conceito de sociedade e os relacionamentos mais estáveis de nossas vidas (não obrigatoriamente amorosos). Enquanto na Casa V as relações eram prazerosas e divertidas, na Casa VII os relacionamentos são mais estáveis. Aqui fechamos um contrato, a época da diversão acabou e assumimos o outro de forma responsável, apresentando o parceiro à sociedade –  daí a associação ao casamento. Vale lembrar que “o outro” nem sempre será amistoso, sendo assim, também consideramos esta como a casa dos inimigos declarados e rivais. O signo e os planetas que caem na Casa VII falam sobre como você se relaciona, o que você espera em seus relacionamentos e sobre o que procura e provavelmente vai encontrar em seu parceiro ou no seu inimigo. A casa fala de projeção, sendo assim, o que cai nela não percebemos em nós, mas no outro e consequentemente, é o que atraímos para nós como um reflexo.

Casa VIII – A Casa VIII, em uma linguagem tradicional, fala sobre os bens e valores dos outros, pois opõe a casa II (nossos valores e bens próprios) e é a segunda casa à partir da Casa VII (os outros). Além disso, a Astrologia Clássica atribui à casa VIII a morte, últimas vontades e legados. Antigamente, era a casa que representava o “dote” de cada mulher ou o “padrinho” do adversário em um duelo. A Astrologia Moderna também fala sobre os temas bens dos outros e morte, mas além disso, acrescenta à abordagem clássica um tom mais “psicológico” para as questões acima e o tema sexo – representado pela casa V na Astrologia Clássica. Certa vez, perguntei a um astrólogo moderno qual era a diferença entre o sexo da Casa V e o sexo da Casa VIII e ele explicou que a casa VIII era o fetiche, a tara, “la petite mort”, enquanto o “ato carnal” era visto como casa V. Para os modernos, a morte da Casa VIII não é necessariamente a que nos manda para o caixão. Pode ser a morte de cada dia, que acompanha aquele significado filosófico da fênix. Apesar da diferença entre as duas linguagens, uma coisa é certa: o que se ganha com a casa VIII não vem sem sacrifício. As heranças, por exemplo, não chegam sem a morte e para compreender os valores do outro, precisamos abrir mão – ainda que temporariamente – dos nossos.

Casa IX – A Casa IX representa as viagens longas, as crenças religiosas, os estudos superiores e os assuntos filosóficos da vida. Segundo Howard Sasportas, é a casa dos “porquês” da nossa existência. É através da casa IX que rompemos barreiras para ser e conhecer mais. Já notaram que quando bate a “crise existencial”, geralmente procuramos os assuntos da casa IX para encontrar um novo sentido pra vida? A crise acontece quando estamos pequenos dentro de nós mesmos. A inquietude nasce e precisamos expandir e conhecer. Para isso, é natural buscarmos uma nova religião ou filosofia de vida, ou mesmo viajar para algum lugar distante e de cultura absolutamente diferente. Precisamos “renovar” os ares e é disso que fala a casa IX! Estudos superiores também podem ser representados por uma primeira graduação, mas não necessariamente. A casa IX, de certa forma, fala sobre o que é inacessível – é uma barreira que precisamos romper para alcançar algo maior, para ter uma compreensão maior das coisas. Para uma pessoa muito humilde e sem recursos – que vive entre outras pessoas igualmente humildes – fazer uma faculdade é quebrar barreiras e ampliar a visão de mundo, portanto, ela vive a casa IX! Para quem tem recursos mais elevados e vive em um meio onde fazer uma faculdade é algo acessível a todos, não há quebra de barreira e não se “vive” a casa IX. A percepção da expansão relacionada a esta casa é importantíssima.

Casa X (Meio Céu) – Atribui-se à casa X a personificação dos príncipes, reis, duques e oficiais. Isso acontece porque a casa X fala sobre a honra, o prestígio e as dignidades. Ela trata do que fazemos para nos destacar entre as outras pessoas e é ela que nos estimula a colocar ou não o bumbum na janela para receber aplausos ou vaias. A casa X também fala sobre o trabalho, mas um bem diferente do descrito pela casa VI. O trabalho da casa X é aquele que fazemos para nos destacar, o que escolhemos para seguir carreira. Quando você trabalha como atendente de loja para arcar com os custos daFaculdade de Direito, você vive a casa VI e busca a casa X. O trabalho da casa VI é aquele em que você serve, mas ninguém bate palma. Na casa X, podemos ou não receber aplausos, mas é isso que buscamos. A casa X também representa a figura da mãe ou do pai. Como mencionado no texto da casa IV, há discordância sobre esse tema. Eu, pessoalmente, prefiro analisar caso a caso. Geralmente, essas casas expressam algo marcante do mapa dos nossos pais e com um pouquinho de observação, conseguimos perceber quem é quem. Quando falamos de prestígio, é importante dizer que há também o desprestígio. Situações de humilhação pública, por exemplo, também podem ser relacionadas aos temas da casa X. A relação que temos com a exposição sugerida pela casa depende muito do regente dela, dos planetas que a ocupam e aspectos que ambos sofrem. O que noto, apesar das variações, é que pessoas com essa casa superpovoada tendem a buscar o sucesso e o reconhecimento.

Casa XI – Fala de boa sorte, esperanças, futuro, projetos, grupos, benefícios e realizações de desejos. Se na Casa X temos a personificação do rei, a XI personifica o amigo do rei e seus aliados; aqueles que recebem benefícios do soberano. Por isso, é uma casa ligada a sorte e ganhos. Enquanto a Casa X representa a nossa profissão e nosso status, a casa XI, que a sucede, representa o nosso salário, o que vamos ganhar exercendo aquela atividade que tanto almejamos. A Casa XI também fala dos nossos amigos e dos grupos que fazemos parte. Para a Astrologia Clássica, esta casa representa os amigos mais próximos, já para a Astrologia Moderna, nesta casa estão os colegas e os amigos que não são tão próximos assim, mas que te ajudam e beneficiam de alguma forma. Os amigos íntimos seriam representados pela Casa VII, uma vez que a amizade íntima seria considerada uma parceria ou até mesmo pela Casa III, que representa nossos irmãos.

Casa XII – A última casa astrológica, segundo fontes tradicionais, representa os inimigos ocultos, o encarceramento e a auto-destruição. É a casa das tribulações, da magia negra e da tristeza. Quando alguém passa um longo período de internação em um hospital, por exemplo, dizemos que está vivendo a casa XII. O mesmo ocorre quando alguém é preso ou vai para um retiro espiritual. O isolamento é assunto de casa XII, sendo ele voluntário ou não. Para a Astrologia Moderna, a casa XII é a casa da espiritualidade, da dissolução do ego individualizado para a fusão com algo maior. Aqui o isolamento também é mencionado, mas de forma poética: é o isolamento que vem com o objetivo de transcender. Embora utilizem linguagens diferentes, Astrologia Clássica e Moderna entendem que a casa XII fala sobre o inconsciente. O que é o inconsciente, senão a ausência de controle sobre as situações e até sobre nossos atos?! Além dos temas acima, a casa XII também fala sobre o sacrifício.

Mais Informações:

1- Ascendente, Fundo do Céu, Descendente e Meio do Céu são os nomes dados às cúspides  (divisão / início) das casas I, IV, VII e X.

2- É normal ter casas vazias no mapa natal. Em todos os casos, para analisar cada casa deve-se observar o signo onde ela começa e onde está colocado seu regente. Por exemplo: a pessoa que tem a casa VII em Câncer (vazia ou não) deve observar as condições da Lua. Quando há um planeta nessa casa, observa-se o regente e também o planeta que está dentro dela.

3- Embora cada signo tenha uma casa natural, uma casa não doa características a um signo ou planeta. A Lua em Áries na casa VIII, por exemplo, não ganha características de Escorpião.

Sugestão de Leitura:

As Doze Casas – Howard Sasportas
Astrologia Cristã – William Lilly

Esse post foi publicado em Casas Astrológicas e marcado , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

15 respostas para As casas astrológicas

  1. Varlice disse:

    As Doze Casas Astrológicas de Sasportas, para mim, a bíblia, o farol, a estrela guia da Astrologia.,

  2. Luísa disse:

    AMEI o post! Super didático, sucinto, claro… ah, esse “jogo” de casas-regentes me fascina (e me embaralha ao mesmo tempo XD)!

    Tenho uma dúvida que pode parecer um tanto besta (e acho que já fiz essa pergunta antes, não tenho certeza x.x): a casa regida pelo Sol (ou seja, a que se inicia em Leão) possui alguma ênfase (uma vez que o Sol simboliza a essência, o “Eu” e tudo o mais), ainda que vaga, no mapa? Ou a ênfase se limita à casa em que o Sol efetivamente se encontra (e os assuntos da casa de Leão se limitariam à situação do Sol – dignidade, aspectos, etc – como se fosse um outro planeta comum)?

    Uh… vou me permitir exemplificar porque acho que o parágrafo não ficou muito claro n.n” Veja, tenho Sol em Touro na casa 6; Leão rege a minha 9, que está vazia. Existe, ainda assim, alguma relevância da 9 pelo fato de ela ser regida pelo Sol? (Na 6 eu sei que tem MUITA… não só pelo Sol, mas porque a bendita ainda junta em Gêmeos Mercúrio, Vênus e Júpiter, uma verdadeira festa ali dentro XD).

    Obrigada -q

  3. O que indicaria no meu caso, tenho a casa 7 vazia de planetas em cancer, mas tem kiron, e a lua e sol em virgem na casa 9?

  4. Bruna disse:

    Muito legal ! Nunca vi texto tão esclarecedor, me ajudou a entender muitas coisas ! A casa 10 também pode estar relacionada com a REPUTAÇÃO também certo?? poderia ser como a sociedade nos vê,no caso

    Beijos

  5. Helena disse:

    Cada vez mais amo meu marte domiciliado na 3.

  6. Ray disse:

    E o que significaria ter o signo solar na casa XII? Achei interessante mas fiquei confusa. Eu tenho sol em cancer na casa XII.

  7. Bianka disse:

    Tenho sol, vênus e mercúrio na VII e fiquei assustada com isso:
    ” A casa fala de projeção, sendo assim, o que cai nela não percebemos em nós, mas no outro e consequentemente, é o que atraímos para nós como um reflexo.

  8. thaispedroso disse:

    Esses dias eu estava me perguntando o porquê de mesmo tendo vários signos caretas no meu mapa (touro, virgem e capricórnio), eu sinto um forte desejo de ousar e me expor. E agora eu descobri: a minha casa X está em aquário, o rebeldinho do zodíaco! Realmente a astrologia é uma ferramenta muito útil na busca do autoconhecimento 🙂

  9. Pingback: O Sol nas Casas | Astrologia da Depressão

  10. Akane disse:

    Olá! Eu adoro o site e a página do Facebook, meus parabéns! Conseguem ser ao mesmo tempo engraçados e informativos, isso é muito legal. Mas tem uma dúvida que está me matando, e como foram vocês que plantaram vou perguntar:

    É possível ter o ascendente em um signo e a casa um em outro? Porque meu ascendente, segundo alguns sites é Peixes e outros é Áries, mesmo com o horário de verão. Mas geralmente aparece que é bem nos últimos graus de Peixes, e que a casa 1 é Áries… Isso faz algum sentido?

    Obrigada!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s